
DIVINDADE
Humano errôneo em natureza, conforme as disposições
Sou carbono inerte, de míseras funções
Contemplador das estrelas
Tão perto e tão distante
Luminosas e quero vê-las, tê-las
Dizem as histórias, as que fundam a ciência
Que nada é a luz, além da total ausência
Mas se lá ainda permanecem a irradiar
O suplício dos astros, pretendo amansar
Desapego à dor e o materialismo
Ainda que transcenda minha total existência
Minha vontade beira o discrepante
E elas o incendeiam, radiante
Espadas a gladiar, arfante ante
O espaço para onde se projetam
Lugar nenhum, a anti-matéria
Estéril aguardar
Cada vez que se estira o olho artificial
Enquanto preso à gravidade, nada posso
Mover-me por quilômetros sem pairar
Qualquer que seja a forma, o adensar
Observá-las em sua criação, o criador
Sem abdicar deste corpo, atenuador
Eu aqui, nauseado num repente
Desfez-se a massa e a vertente
Os planos cardinais e a equação
Tornando-me pura matemática
Avessa à lógica e comparações





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